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A determinada altura de uma conversação o melhor a fazer é abortá-la. Esta acção é aconselhável assim que detectamos algum sinal ou sintoma depreciativo na pessoa que está a falar connosco, bastando um pormenor revelador para traçarmos o perfil completo da sua mentalidade e valores subjacentes. Este método revela-se extremamente útil como factor de eliminação em entrevistas de emprego:

 

- Por que razão pretende ingressar na nossa empresa?
- Bom, eu penso que... penso que será o melhor para mim.
- Mas qual o papel que pretende desempenhar a longo prazo?
- Eu penso que pretendo trabalhar para atingir os meus objectivos.
- Hum... O senhor por acaso já foi futebolista?

 

- Fale-me um pouco sobre a sua experiência profissional.
- Em relação a essa matéria devo referir apenas um ponto essencial, e que se trata do seguinte: as minhas qualificações, juntamente com o meu portfolio profissional, foram previamente enviadas à sua equipa, pelo que melhor do que eu referi-las oralmente será a senhora consultar o documento mencionado para assim ser detalhadamente esclarecida.
- Hum... O senhor por acaso já foi deputado?

 

- Nesta empresa temos uma forte política em relação ao vestuário e adereços.
- Bom, já que fala nisso, confesso que tenho uma tramp-stamp desde os 16 anos e...
- Hum... A senhora por acaso já andou na meretrícia?

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escarnecido às 10:48

Depois da tragédia em Albufeira, as autoridades pretendem abrir um inquérito para apurar responsabilidades. Sabendo da eficiência inquiridora em Portugal, é possível antever desde já os resultados finais:

«Após um inquérito efectuado podemos concluir que a arriba rochosa desmoronou-se parcialmente porque de facto os corpos materiais têm tendência para cair pela força da gravidade. De qualquer maneira estamos em condições de garantir que aquela família do Porto, falecida em sequência do acidente, não voltará a estar em perigo de vida pois já demolimos o rochedo na sua totalidade».

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escarnecido às 17:03

Na maioria da população predominam as frases inacabadas mas entre os jovens a indolência é ainda mais frequente, chegando a atingir um nível silábico. Neste caso apenas são pronunciadas algumas sílabas de cada palavra para não alongar muito a estrutura frásica, o que poderia danificar seriamente a limitada idoneidade juvenil. «És uma nina muito nita, jinhos pra ti» e «Oh bigada, que fofi. És muito kido» constitui um breve exemplo de uma estapafúrdia conversa que hoje em dia é possível escutar entre certas faixas etárias. Para grande infelicidade dos utilizadores desse vocabulário, que ao adoptá-lo julgam-se singulares na sua existência, informa-se que tal hábito é demasiado ridículo e perturbador, ao ponto de incitar qualquer pessoa minimamente pacífica a uma investida física contra quem o utiliza.

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escarnecido às 10:44

Em qualquer discoteca ou espaço social, o jogador de futebol tem um nível privilegiado de interacção humana, mesmo que estejamos perante um iletrado amador que jogue na divisão mais insignificante da região mais remota. Na generalidade dos casos, basta revelar a sua profissão para que a fêmea mais próxima disponibilize prontamente o seu calejado sistema reprodutor, sem a mínima preocupação com o inconveniente de poder vir a iniciar uma linha de descendência alguns meses depois. Para as restantes sequiosas presentes que anseiam por uma afinidade semelhante, outros alvos opcionais estão à disposição, nomeadamente os irmãos, amigos ou colegas de ofício do indivíduo.

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escarnecido às 20:22

Se o cidadão comum se baseasse unicamente nos eruditos discursos da oposição, ficaria de imediato com a ideia de que José Sócrates só pode ser um ser intelectualmente defeituoso, desprovido de quaisquer qualidades políticas, que invariavelmente adopta as atitudes erradas e que tem um objectivo maléfico de manter Portugal na recessão económica durante o máximo de tempo possível.

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escarnecido às 20:39

Qualquer português de nascença gosta de enunciar graus de parentesco, e quantas mais vezes os puder utilizar numa simples frase mais auto-realizado se sentirá pela vinculação social que essas expressões acarretam. É notório o regozijo que sobressai dos olhos de uma pessoa quando anuncia que no dia seguinte irá visitar a sua «madrinha», ou levar a «afilhada» à escola, ou passear com a «enteada», desde que sejam enunciados os títulos e não os nomes próprios das pessoas. A cura para esta perturbação social está em arranjar parceiro e constituir família própria, em vez de engendrar parentes cuja respectiva tarefa procriadora esteve a cargo de outrem, com o único objectivo de preencher desejos ou carências pessoais.

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escarnecido às 15:14

Os cafés são os estabelecimentos ideais para explorar a capacidade humana em fazer conversa. Ali, a partir de muito pouco, é possível praticar sobejos diálogos, ainda que por breves momentos:

- Então o que vai ser?
- Queria um café se faz favor.
- Queria? Mas já não quer?
- Ah ah, olhe que você tem piada...
- Sabe que já me diziam isso quando era pequeno.
- Ai sim? Mas em novo já tinha jeito para as graçolas?
- É verdade, nas noites de Natal era eu que animava a família com as minhas anedotas.
- Que engraçado...
- Sim... então é só o cafezinho?

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escarnecido às 00:00




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