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1. «Sou quem sou e não o que os outros dizem. Quem não gostar, paciência!» - é uma frase que muitas individualidades aclamam corajosamente em prol de um individualismo revolucionário, desafiando directamente a componente gregária que caracteriza o ser humano desde a era primitiva. Por um lado admiro essas fortes personalidades que, apesar de paradoxalmente recorrerem a tais frases feitas, demonstram uma estrutura cognitiva sólida, impermeável a qualquer interferência alheia.

 

2. «Sou amigo dos meus amigos» - seria uma tentativa de transformar uma vinculação bilateral - a amizade - numa virtude individual com o propósito de auto-enaltecimento. Este aspecto deve, portanto, ser omitido por estar implicitamente assente, caso contrário também seria lícito esclarecer que “sou filho dos meus pais”, “neto dos meus avós” ou “irmão do meu irmão”.

 

3. «Sou uma pessoa que tenta viver a vida ao máximo» - infelizmente não é possível classificar com precisão o nível de vivência de uma pessoa pois não existe qualquer tipo de escala globalmente reconhecida para o efeito, logo esta expressão não é mais do que um artifício sem significado, novamente para engendrar um leque falsificado de qualidades pessoais.

 

4. «Sou simpático e bem-disposto» - não são qualidades mas sim requisitos que, invariavelmente, se esperam de qualquer indivíduo por se tratarem de pressupostos fundamentais para uma harmonia em qualquer relacionamento social.

 

5. «Gosto de me divertir e de estar com os meus amigos» - em casos normais esta frase revela-se supérflua, tal como as restantes. No entanto, se porventura alguém não aprecia divertimento ou convívio com os amigos, encarando essas actividades como enfadonhas e melancólicas, poderemos então estar perante casos clínicos de autismo ou apatia crónica.

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escarnecido às 20:40




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