Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Desde o momento que se inicia o atravessamento numa passadeira, estabelece-se logo uma momentânea ligação amistosa com o condutor que amavelmente imobilizou o seu veículo de propósito para nos deixar atravessar no seu caminho de vida. Quando passamos à sua frente agradecemos: «Obrigado por ter parado. Desta forma não fiquei com as pernas esmigalhadas no seu pára-choques e posso assim continuar a viver feliz». No entanto, nos nossos diários atravessamentos, há sempre alguns condutores que não param os seus cavalos e passam por nós a 120km/h, contudo têm a amabilidade de pedir desculpa acenando hipocritamente com a mão, como que dizendo «Perdão, mas parar implicava gastar travões». Seja como for, acho que esta é uma das formas de comunicação mais harmoniosas que o ser humano estabelece diariamente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

escarnecido às 21:48

Para quê despejar sem entoação aquilo que queremos dizer se podemos utilizar expressões que imprimem espontaneamente um nível de dramatismo que, inevitavelmente, cola o ouvinte ao nosso discurso num desejo ansioso de saber o conteúdo da mensagem que está prestes a ser revelada. Para tal, alguns génios humanos inventaram determinadas expressões que substituem os rufos de tambores e preparam terreno para qualquer revelação surpreendente:

«Olhe, então vamos fazer o seguinte…»
«Deixe que lhe diga que…»
«E fica desde já a saber que…»
«Nunca pensei dizer isto mas…»
«Eu até nem queria falar disto mas…»

Infelizmente estas expressões têm vindo a ser abusivamente utilizadas ao ponto de já servirem de introdução a temas como a meteorologia - «Deixe que lhe diga que… parece que já estamos no Verão». É um modo triste de brincar com fasquias e expectativas discursivas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

escarnecido às 13:38




Pesquisar

  Pesquisar no Blog