Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010
Sobre Tiago Bettencourt (VI)

Tiago Bettencourt escreveu a seguinte mensagem no seu dispensável Twitter:

«Passei há pouco na fnac. O NOSSO ÁLBUM ESTÁ A 6.99 EURO!! Acho que é de aproveitar não? Vá lá meus amigos, não me pirateiem que me matam...»

Poderia lamentar a opção errada pelo singular em relação à moeda, ou a carência de vírgula depois do verbo «aproveitar» mas irei poupar Tiago relativamente às suas já conhecidas debilidades linguistas, outrora devidamente ressaltadas. Contudo, não poderei deixar passar o lamentável incentivo às cópias ilegais que o artista exalta nesta sua mensagem. Se de facto o acto de piratear o novo disco provoca o falecimento de Tiago Bettencourt é evidente que todas as pessoas com uma fasquia mínima de qualidade musical irão adoptar em massa esse procedimento homicida.



publicado pelo Escarnecedor às 01:14
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Sábado, 11 de Setembro de 2010
Sobre os desconhecidos

Desprezo desconhecidos. São seres irrelevantes pelos quais não nutro especial predisposição para interagir. O desprezo evolui para aversão quando sou obrigado, por diversas circunstâncias, a forçar diálogo com um estranho durante mais de cinco minutos. É demasiado árduo ter de simular reacções para cada frase que ouço, só para fazer o desconhecido acreditar que estou de facto interessado nas superfluidades por ele proferidas. Caro indivíduo não identificado, por favor abdique de principiar conversações dentro do meu perímetro de audição. Obrigado.



publicado pelo Escarnecedor às 00:41
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Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010
Sobre os nomes próprios (II)

Durante uma conversa é frequente trocarem o meu nome por outro qualquer, o que reflecte a importância que a minha existência humana representa para essas pessoas. Este tipo de lapso obriga-me a interromper a conversação para lançar uma chamada de atenção relativamente à minha denominação verdadeira. Na verdade isso não me incomoda, apesar de ser uma profunda falta de consideração para comigo e para com o trabalho do notário que outrora procedeu ao registo. Incomoda-me sim que, depois de chamadas à razão, as pessoas passem a repetir o meu nome verdadeiro a cada par de palavras, como se de vírgulas se tratasse, tentando falsamente disfarçar o buraco infinito inicialmente aberto. Caros praticantes de tal procedimento, avisa-se que a referida conduta revela-se contraproducente por ser tardiamente aplicada. Obrigado.



publicado pelo Escarnecedor às 00:05
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