Está na moda lavar os ouvidos com pasta de dentes.
Provavelmente não, mas para catapultar um absurdo costume na sociedade basta proferi-lo uma vez, preferencialmente a um indivíduo linguareiro, como se de um segredo se tratasse, para que no prazo de dias se verifique um aumento concorrencial nos corredores dos dentífricos. Manipuláveis criaturas...
Quando o intestino grosso fica enfartado não há nada mais enriquecedor do que recorrer a um sanitário de um centro comercial para ali defecar em comunidade, onde cada um tem a possibilidade de partilhar em simultâneo os seus efeitos sonoros de libertação e respectivos odores pútridos. E quando a tarefa está concluída basta higienizar os acessos ao recto, lavar as mãos e abandonar o local com um sentimento de dever cumprido para com a sociedade.
Não há nada pior do que conviver com pessoas que gostam do que fazem. Enquanto que os comuns trabalhadores estão condenados a transportar o seu corpo de um lado para o outro nos seus miseráveis ofícios laborais, outros optam por saltarilhar alegremente espalhando satisfação profissional por onde passam.
Slut define-se como «rapariga fácil, que alinha em qualquer tipo de actividade desde que daí possa retirar proveitos prazenteiros». Inabilitada língua portuguesa que me obriga a recorrer a um termo estrangeiro por não possuir na sua colectânea linguística uma palavra fielmente descritiva deste tipo de pessoa. Já todos os indivíduos, por mais puristas de intelecto que sejam, se confrontaram alguma vez na vida com uma Slut. Se houver uma excursão de camioneta a uma pocilga rural, elas estarão lá nos bancos da frente do veículo, desde que na lista de passageiros conste pelo menos uma pessoa do sexo oposto, preferencialmente ornamentada com boné, pingentes auriculares, patilhas refinadas e calças de ganga descoloridas. Ao contrário do que se possa pensar, as acções por elas produzidas não são de todo efémeras, pelo contrário, as denominadas Sluts possuem arquivos fotográficos de baixa resolução de todos estes indivíduos com quem já se entremearam fisicamente, tal como se uma esfregona decidisse manter um registo de todas as mármores por onde já se esfregou.
Apesar de ser um instrumento comum na sociedade, a utilização com excelência de um corta-unhas é ainda uma tarefa muito restrita. Aqueles que possuem uma mestria inata na manipulação deste objecto fazem questão de vir a público demonstrar isso mesmo. É frequente vermos na rua idosos sabedores chapotando as unhas com perícia deslumbrante. E se nos queremos instruir com os melhores, devemos parar ali mesmo e observar com atenção a grande lição de vida que nos é entregue de bandeja naquele momento. Porque nem tudo se aprende na escola...
Tiago Bettencourt escreveu a seguinte mensagem no seu dispensável Twitter:
«Passei há pouco na fnac. O NOSSO ÁLBUM ESTÁ A 6.99 EURO!! Acho que é de aproveitar não? Vá lá meus amigos, não me pirateiem que me matam...»
Poderia lamentar a opção errada pelo singular em relação à moeda, ou a carência de vírgula depois do verbo «aproveitar» mas irei poupar Tiago relativamente às suas já conhecidas debilidades linguistas, outrora devidamente ressaltadas. Contudo, não poderei deixar passar o lamentável incentivo às cópias ilegais que o artista exalta nesta sua mensagem. Se de facto o acto de piratear o novo disco provoca o falecimento de Tiago Bettencourt é evidente que todas as pessoas com uma fasquia mínima de qualidade musical irão adoptar em massa esse procedimento homicida.
Desprezo desconhecidos. São seres irrelevantes pelos quais não nutro especial predisposição para interagir. O desprezo evolui para aversão quando sou obrigado, por diversas circunstâncias, a forçar diálogo com um estranho durante mais de cinco minutos. É demasiado árduo ter de simular reacções para cada frase que ouço, só para fazer o desconhecido acreditar que estou de facto interessado nas superfluidades por ele proferidas. Caro indivíduo não identificado, por favor abdique de principiar conversações dentro do meu perímetro de audição. Obrigado.
Durante uma conversa é frequente trocarem o meu nome por outro qualquer, o que reflecte a importância que a minha existência humana representa para essas pessoas. Este tipo de lapso obriga-me a interromper a conversação para lançar uma chamada de atenção relativamente à minha denominação verdadeira. Na verdade isso não me incomoda, apesar de ser uma profunda falta de consideração para comigo e para com o trabalho do notário que outrora procedeu ao registo. Incomoda-me sim que, depois de chamadas à razão, as pessoas passem a repetir o meu nome verdadeiro a cada par de palavras, como se de vírgulas se tratasse, tentando falsamente disfarçar o buraco infinito inicialmente aberto. Caros praticantes de tal procedimento, avisa-se que a referida conduta revela-se contraproducente por ser tardiamente aplicada. Obrigado.
Ainda hoje não entendo por que razão as agências de viagens expõem orgulhosamente na montra uma representação em plástico de um avião, como se aquele meio de transporte fosse inédito e exclusivo daquele estabelecimento. Infelizmente as probabilidades de um cliente viajar no modelo específico ali representado são ínfimas, o que tira ainda mais sentido à presença do objecto. A única explicação plausível seria o cliente desconhecer por completo a existência de aeronaves no mundo contemporâneo:
- Aqui está a sua passagem. O senhor irá viajar naquela estrutura aerodinâmica com duas asas laterais a que chamamos de avião.
- Uau, fantástico! Pensei que ia de barco para a América.
Raramente produzo pensamentos bélicos, exceptuando talvez naqueles momentos em que alguém me endereça um "Capisce?" no final de uma frase. O facto de uma pessoa dedicar parte do seu tempo e poder de argumentação a explanar determinado acontecimento para depois complicar o raciocínio alheio com uma expressão estrangeira é, no mínimo, contraditório. Certamente que um estrangeirismo outrora usual na Mafia italiana não me vai iluminar o pensamento ao ponto de me fazer entender perfeitamente a essência de um discurso, antes pelo contrário, a parvalhice de tal expressão faz-me esquecer por completo o que foi dito anteriormente.